terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Memorial

O presente Memorial tem por objetivo rever a minha caminhada profissional e educacional e tem como propósito a reflexão sobre a minha prática pedagógica, uma vez que estou cursando o Mestrado Profissional em Praticas do Ensino Fundamental, na Universidade Metropolitana de Santos. Esforçarei em tentar destacar algumas das atividades já desenvolvidas e atividades que realizo atualmente. Relembrar a trajetória profissional é sempre uma oportunidade importante, é o momento que paramos para refletir sobre percurso que trilhamos na direção, tanto da nossa realização profissional, quanto da nossa contribuição ao desenvolvimento das instituições e da sociedade das quais fazemos parte. A minha escolha pelo magistério, aconteceu mesmo antes de ter que escolher uma profissão, diria até que ela foi meio que congênita. Desde que me reconheço por gente, recordo dos meus avôs afirmarem que suas filhas eram formadas no curso normal, pelo Instituto Feminino de Educação Padre Anchieta, portanto eram professoras, eles afirmavam isso com orgulho. Era bem pequena, mas me recordo o dia que minha tia me levou à sua escola, foi sem dúvida um dos dias mais significativos da minha vida. Também senti orgulho dela, que saia de sua casa, todos os dias, para ensinar crianças tão diferentes de mim e da minha realidade. A escola que lecionava, no início da década de 1960, era muito longe e para se chegar até lá era necessário pegar um ônibus e depois um trem e ainda andar um bom pedaço em ruas sem asfalto. Minha mãe, apesar de não lecionar, sempre esteve ao meu lado para me apoiar e me ensinar quando era preciso, já que entrei na escola antes um ano antes que todos os meus colegas. Naquela época não havia esse rigor em relação a isso, e como desde que tinha ido à escola que minha tinha tia tralhava não parei de pedir para estudar. Iniciei meus estudos em uma escola católica, no começo da década de 1970, em São Paulo, cidade que nasci. Em 1978, minha família mudou-se para Santos, onde terminei os estudos e me formei no curso do magistério, sempre em escola católica. A minha formação acadêmica, teve inicio em 1982, quando comecei o curso de Graduação em Pedagogia Licenciatura Plena, realizado pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Santos, atualmente a Universidade Católica de Santos. O papel desempenhado pelos professores nas diferentes disciplinas de minha graduação foi fundamental para o meu envolvimento com as questões da didática. Mesmo antes de terminar o curso de pedagogia, ainda no segundo ano do curso, comecei a trabalhar em uma instituição de ensino, particular, como professora da área de matemática, para a 3ª e 4ª série, então influenciada pelo que havia estudado de Aristóteles e da Escola Peripatética, costumava sair com meus alunos, pelo pátio da escola e tentar passar os ensinamentos da matriz curricular da época. Como resultado, fui transferida para a educação infantil, onde trabalhei primeiro como auxiliar de classe e logo em seguida como professora do maternal. Fiquei nessa instituição por aproximadamente três anos. No mesmo período, trabalhei como professora em uma escola do município de Santos, como contratada, como entendi que na minha experiência anterior, não havia tido sucesso, mudei minha estratégia. Tratava-se de uma 4ª série e me recordo que nesse momento, adotei uma postura tradicional, o que Paulo Freire denominou de “educação bancária”, onde apenas transmiti de forma passiva os conteúdos que achava necessário. Fui depositando conteúdos, como alguém deposita dinheiro num banco. Assumi uma postura onde supostamente tudo sabia, onde o aluno era assumido como aquele que nada sabia. Trabalhei ainda em outras duas escolas particulares, e em ambas me comportei de forma tradicional, me senti desiludida com a profissão que tanto havia sonhado. Aquela atitude tradicional, não me agradava, não me seduzia. Resolvi mudar de foco, e me aventurei em novos projetos. Em 1999, fora da educação e motivada pela sede do conhecimento, sentido falta do ambiente acadêmico e escolar, me matriculei no curso de pós-graduação latu senso de psicopedagogia, na Faculdade de Educação, Ciências e Letras Don Domênico, na cidade de Guarujá. Foi aqui que comecei a ampliar o meu repertório com leituras direcionadas ao fazer pedagógico. Na sequência matriculei-me no curso de especialização em psicodrama na SOSAP – Sociedade Santista de Psicodrama, confederada da Federação Brasileira de Psicodrama, onde estudei por dois anos e me graduei em psicodrama. Assim que terminei o curso de psicopedagogia comecei a trabalhar em uma escola que trabalhava com educação inclusiva Foi nesse momento que me deparei com a diversidade. Trabalhei lá por dois anos, sendo que no último assumi como coordenadora pedagógica. A escola tinha da educação infantil até o último ano do ensino médio, foi uma experiência muito prazerosa e interessante. Foi nessa escola que me aprofundei nos estudos sobre o tema inclusão, pesquisei muito sobre muitas temáticas, o que me foi muito útil anos depois. Tive oportunidade de trabalhar de forma mais significativa e menos clássica, mas ainda era muito tradicional. Trazia jogos para trabalhar com as crianças, fazia interferências durante as aulas. Como tinha alunos de níveis diferenciados, sempre tentava trabalhar com atividades diferenciadas. As classes eram pequenas com cerca de quinze anos no fundamental I. Em 2000 prestei o concurso público em Santos, para concorrer a uma vaga de professora efetiva do ensino fundamental e em 2001 prestei concurso público para professora efetiva na cidade de Praia Grande. Com os conhecimentos que adquiri, durante o curso de psicopedagogia, consegui ser classificada e depois de dois anos estava começando o meu novo trabalho. Assumi primeiramente o cargo na prefeitura de Praia Grande, onde trabalhei com uma 1ª série. Talvez tenha sido uma das minhas piores experiências. Peguei uma classe de 1ª série e não tinha experiência em alfabetização, logo tive muitas colegas para me ajudar, mas o que elas me propunham para fazer nada mais era do que a cópia da cartilha, desatualizada. O pior que nem eu havia estudado com aquela cartilha. Não conseguia por em prática as teorias de Emília Ferreira, por falta de experiência. E não me identificar com aquele método tradicional, no qual as nove professoras das classes de 1º ano trabalhavam. Novamente me senti fracassada, estava sem referencial teórico. Felizmente fui chamada na prefeitura de Santos, e por problemas de horário me exonerei da Praia Grande. Comecei a trabalhar em uma escola perto de casa e lá peguei uma 3ª série, onde pude trabalhar com atividades como jogos, filmes, confecção de fantoches, teatro e técnicas psicodramáticas. O psicodrama tem como base a teoria de Moreno. E foi essa teoria que por muito tempo me orientou no meu fazer na escola, tanto como professora tanto como equipe gestora, como atuo atualmente. Em 2004, tive uma pequena experiência como assistente de direção em uma escola da prefeitura de Santos. LEMA DO PSICODRAMA Um Encontro de dois: olhos nos olhos, face a face. E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhos e colocá-los-ei no lugar dos meus; E arrancarei meus olhos para colocá-los no lugar dos teus; Então ver-te-ei com os teus olhos e tu ver-me-ás com os meus. Jacob Levy Moreno Motivada em compreender o processo ensino aprendizagem, realizei a matricula nos cursos de pós-graduação. em Educação Especial em DV, DF, DI, DA, Faculdade São Luiz, Jaboticabal, concluído em 2005 e no curso de Pós-graduação em Direito educacional, UNIG, Rio de Janeiro, concluído em 2005. Essas pós-graduações foram significativas na minha formação, na medida em que me ofereceu subsídios para ampliação de conhecimentos no campo da educação. Sempre sonhei em lecionar para o curso de magistério e no ano de 2005 tive a grata surpresa em ser seleciona para trabalhar no curso do Magistério da UME Acácio de Paula Leite Sampaio. Lá desenvolvi um trabalho baseado na teoria de Moreno e com muito estudo durante as reuniões. Fiquei trabalhando por dois anos naquela escola, saindo de lá para trabalhar no Estado, após concurso público. Trabalhei por três anos nas escolas de ensino fundamental das cidades de Guarujá e Diadema. Sempre com um olhar holístico, que tem como base os quatro os pilares básicos da Educação para o século XXI: são Aprender a fazer; Aprender a conhecer; Aprender a ser; Aprender a viver juntos, que é a base dos PCN´s. Visão essa que passava para os meus professores nas escolas da prefeitura de Santos, que trabalhava comitantemente, como equipe gestora, ora como coordenadora pedagógica, ora como orientadora educacional. Em 2010, por motivos particulares acabei desistindo do cargo de professora, da rede estadual de ensino, ficando apenas na rede municipal onde substituía no cargo de orientadora educacional. Trabalhava em uma comunidade de pescadores e agricultores, num pedaço de terra entre a rodovia BR-101, e o Canal de Bertioga, na área continental de Santos, perto do Distrito de Vicente de Carvalho, e a meio caminho da cidade de Cubatão. Essa comunidade não tem padaria, farmácia ou supermercado e a correspondência não chega à boa parte das casas. Nos quatro anos que ali trabalhei, realizei um trabalho com as famílias, fazia encontros quinzenais, onde trabalhava com jogos dramáticos e com jogos cooperativos. Procurei me aliar com o pessoal da Unidade Básica de Saúde e com a assistente social responsável, o que foi muito bom, pois conseguimos unir esforços para trabalhar com as famílias daquela comunidade. Junto com a UBS, agendava consultas médicas para os mais diversos casos e quando a consulta era na área insular, conseguia os passes para que os responsáveis levassem os meus alunos. Quando um aluno faltava e não justificava, ia junto com a assistente social, verificar o que estava ocorrendo, com isso criei vínculos com aquela comunidade o que me ajudou muito no trabalho de orientação. Lembro-me que andava pelos estreitos caminhos, onde de um lado era possível ver os mais diversos tipos de casas construídas nas encostas do morro e do outro lado o Canal de Bertioga. Nessa comunidade a família era o meu alvo, pois era comum a família inteira estudar na única escola do bairro. A escola tinha desde educação infantil, ensino fundamental I, ensino fundamental II, uma classe de educação de jovem e adulto e outra de alfabetização, do Projeto Parceiros do Saber. Em 2012, vim trabalhar em uma educação infantil, localizada em um dos melhores bairros de Santos, com famílias oriundas de classe média e que não apresentava muitos problemas sociais. Acabei focando o grupo de professores, que eram antigos da casa e por isso mesmo muito coeso. Trabalhei aquele ano mais em conjunto com a coordenadora pedagógica, dando suporte nas reuniões pedagógicas e depois junto com uma professora que trouxe uma proposta de se trabalhar com as famílias. Em 2013 e 2014, passei a trabalhar na maior escola de educação infantil, onde o público alvo era a comunidade do maior e o mais antigo conjunto habitacional do país. Aquela comunidade guarda uma história de muitos problemas e luta. Pois esse foi o primeiro conjunto popular construído pelo Banco Nacional da Habitação, embrião do sistema mutuário no País. A escola tem vinte classes de período integral sendo que as classes vão do berçário I até a pré-escola. Meu trabalho, nessa instituição era voltado ao cuidado dos bebês e da orientação aos pais a respeito desses cuidados. Aprendi muito, pois se tratava de um fazer que não conhecia. Atualmente, estou em outra unidade de educação infantil, porém bem menor, com sete classes de período integral, com características parecidas com a outra, porém em uma comunidade de excluídos, pois algumas das famílias moram em lugares precários, como a região do Mercado Municipal, em alguns morros da redondeza e do centro da cidade. Meu fazer aqui também tem sido o de orientação aos pais a respeito desses cuidados.

Um comentário:

Paula Netto disse...

Cristiane,

Sua trajetória, se parece muito com a minha e de tantos outros professores, que buscam através do "seu fazer" diário, realizar um trabalho de excelência. As lutas e desafios são constantes para aqueles que como nos, escolheu a Educação como "profissão", porque muito mais que um trabalho, educar e uma "missão". Como diz, Maria Montessori "Educar e observar a vida e permitir que ela aconteca" .

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