sábado, 22 de outubro de 2011

O papel do professor e dos pais e a motivação dos alunos

“Diz-me e eu esquecerei,
Ensina-me e eu lembrar-me-ei,
Envolve-me e eu aprenderei”,
Provérbio chinês
O papel de um professor é variado, complexo mas motivador. Pretende-se que um
professor seja inovador, dinâmico, comunicativo, crítico e “eficaz.” Ele deve ensinar mas
também educar, transmitir conhecimentos mas também incutir métodos, instrumentos
de trabalho e alguns valores fundamentais nos alunos, como, por exemplo, a
compreensão e o respeito pelo outro, a entreajuda ou a responsabilidade. E ainda
desenvolver o espírito crítico, a reflexão mas também a criatividade e a curiosidade em
termos de aprendizagem.
Entende-se que o professor proporcione um ensino motivador, que permita a
construção da aprendizagem dos alunos e que transforme o saber em saber fazer.
Mas como é que se desenvolve a motivação do aluno?
Primeiro, pensa-se que é necessário estabelecer um bom relacionamento entre o
professor e o aluno. O professor tem então de preocupar-se sobretudo com os seus
alunos e com uma gestão equilibrada da sala de aula e menos com o cumprimento do
programa. E, para isso, é então imperativo criar uma real empatia, usando o diálogo, a
interactividade. Valorizam-se então algumas qualidades humanas do professor como a
simpatia, o carisma, a sensibilidade ou ainda o sentido de humor.
Por outro lado, ele deve igualmente procurar estratégias de trabalho inovadoras,
actividades diversificadas e materiais apelativos para as suas aulas, de forma a suscitar
o interesse e motivar a participação dos alunos, facilitar a sua aprendizagem e alargar o
campo dos seus conhecimentos. Mas nem sempre lhe é possível alcançar os seus
objetivos, nem responder às expectativas de todos os alunos, o que transmite um
certo sentimento de frustração.
Por isso, cabe-lhe atualizar e aperfeiçoar os seus conhecimentos e debruçar-se
sobre o seu desempenho pedagógico, modificando ou corrigindo a sua atuação. O seu
papel é de grande responsabilidade e o processo educativo exige uma profunda reflexão
e uma grande disponibilidade, para poder apoiar os alunos, em particular os alunos com
necessidades educativas especiais ou com comportamentos inadequados e
perturbadores.
Mas todo este processo deve ser partilhado com os pais porque a educação e a
aprendizagem não podem ser reduzidas ao contexto escolar. A escola e o professor não
podem atuar isoladamente, devem dividir responsabilidades com a família do aluno. A
relação construída com os pais favorece o contacto, a troca e uma educação/aprendizagem significativa. Esta articulação entre a escola e a vivência dos
alunos é realmente necessária. O professor precisa de conhecer os seus alunos para ter
em conta as histórias de vida de cada um e, desta maneira, estar mais próximo deles e
criar aulas enriquecedoras.
A educação está a atravessar uma certa crise. Verificamos que os alunos não
estão concentrados nem motivados e nem sempre demonstram prazer em aprender. E,
quando apuramos responsabilidades, normalmente a culpa recai sobre o aluno, que não
estuda e o próprio professor, que não motiva ou as matérias, que não são atrativas ou
não estão adaptadas à realidade profissional. Por vezes, recai sobre os pais, que não
acompanham suficientemente os filhos. Mas talvez não seja culpa de nenhum em
particular ou então talvez seja de todos ao mesmo tempo…
As causas principais, a meu ver, ultrapassam o âmbito escolar e advêm, por um
lado, do sistema social que temos construído. Valoriza-se a vida fácil, os bens de
consumo, uma certa superficialidade, em detrimento do trabalho, da dificuldade, do
esforço e do mérito. No entanto, é sabido que sem estudo ou sem trabalho não se
consegue alcançar o sucesso.
Por outro lado, não podemos deixar de referir também que os jovens sentem uma
grande preocupação em relação ao seu futuro profissional. E, talvez numa reacção de
defesa, optam pela facilidade e ficam-se pela rotina escolar, perdendo confiança nas
suas capacidades e interesse pelas aulas.
É urgente regressar ao trabalho, ao esforço, construindo projetos estimulantes,
enriquecedores, adequados às experiências de vidas e que permitam uma aprendizagem
significativa dos alunos.

O PAPEL DO PROFESSOR E DO PROFESSOR ALFABETIZADOR

"Ser professor hoje significa garantir o desenvolvimento de todo o potencial das novas gerações"
Viviane Senna

Cristiane Giusti Vargas Nakajima

Convido vocês para que pensem sobre o “papel do professor” em nossa atual sociedade. Vamos primeiramente analisar as palavras que compõem essa termologia.
Segundo o dicionário Houaiss, o termo papel é um substantivo masculino e tem como significado o “dever, a obrigação legal, moral, profissional ou atribuição, função que se desempenha ou cumpre”. Já a palavra professor, que também é um substantivo masculino, tem como significado “aquele que professa uma crença, uma religião ou ainda aquele cuja profissão é dar aulas em escola, colégio ou universidade; docente, mestre, aquele que dá aulas sobre algum assunto, matéria ou tema”. Tais definições traduzem bem o pensamento pedagógico que vigorou até pouco tempo atrás. Mas e atualmente?Qual o verdadeiro papel do professor?
Para alguns teóricos, o significado de papel é muito mais amplo. É toda a função, seguida de um conjunto mais ou menos característico de comportamento próprio para aquela função que se desempenha em um dado momento de sua vida (HANDY, 1978).
A todo o instante estamos desempenhando diversos papéis; de pai, filho, esposo(a), vizinho, esportista, torcedor, professor, aluno, entre outros. Apesar de sermos sempre a mesma pessoa, em cada situação há uma característica, uma forma de ser que nos diferencia das demais. Embora haja algo de constante nas pessoas em diferentes situações, a forma de ser no papel de pai, não é a mesma quando se desempenha o papel de filho, e o mesmo ocorre com o papel de professor, que difere do papel de aluno ou, ainda, quando se assiste ao seu esporte favorito, e assim por diante.
Após breve reflexão, podemos compreender que o tipo de papel que uma pessoa pode desenvolver, frente a uma determinada situação, será definido pela combinação das suas características de personalidade e pelas expectativas de papel que o ambiente psicossocial que a cercar tem em relação ao papel que a pessoa deve desempenhar. Alguns papéis têm uma determinação cultural mais ou menos rígida e clara, como, por exemplo, o do professor.
O papel de professor foi mudando ao longo da história: daquele que professa uma crença, passou a ser o eterno aprendiz. A ação de ensinar e aprender são essenciais para o desenvolvimento e perpetuação da natureza humana. Mas quais os fatores prioritários para o desenvolvimento dessas capacidades?
São três os fatores que influem no desenvolvimento dessas capacidades: primeiro, a atitude de querer aprender. O segundo fator diz respeito às competências e habilidades, o que poderíamos chamar, simplesmente, de desenvolvimento de aptidões cognitivas e procedimentais. O terceiro fator refere-se à aprendizagem de conhecimentos ou conteúdos.
Em tempos modernos, quando o professor se percebe como um indivíduo em contínua aprendizagem, ele muda a relação que tem com o saber. Mas não é só isso: ele precisa voltar a ser aluno para aprender a ensinar por outra perspectiva. Saber ensinar é tão importante quanto saber aprender. Ensinar é desenvolver estratégias de aprendizagem. É vivenciar diferentes papéis.
O que é alfabetização? Qual a sua principal função na sociedade contemporânea? Atualmente o que significa ser um professor alfabetizado?
“Alfabetização é o processo pelo qual as pessoas aprendem a ler e a escrever. Entretanto, esse aprendizado vai muito além de transcrever a linguagem oral para a linguagem escrita. Alfabetizar-se é muito mais do que reconhecer as letras e saber decifrar palavras. Aprender a ler e a escrever é apropriar-se do código lingüístico-gráfico e tornar-se, de fato, um usuário da leitura e da escrita.” (CAGLIARI, 1989).
Os Parâmetros Curriculares Nacionais vêem a língua como um sistema de signos histórico-sociais que possibilitam ao homem significar o mundo e a realidade. Deste modo, aprendê-la é aprender não apenas em palavras, mas também aprender seus significados culturais e, com eles, os modos pelos quais as pessoas do seu meio social entendem e interpretam a realidade e a si mesmas. E esse aprendizado nunca se encerra, é um processo contínuo e que se prolonga pela vida toda.
Por linguagem, entendemos o procedimento de interlocução que se exerce nas práticas sociais existentes nos diversos grupos de uma sociedade. Interagir pela linguagem constitui falar alguma coisa a alguém, de certa forma, num determinado contexto histórico e em determinadas circunstâncias. Pela linguagem é possível promulgar idéias, pensamentos, estabelecer relações interpessoais anteriormente inexistentes e influenciar os outros, modificando as representações que fazem da realidade. É na interação social, condição de desenvolvimento da linguagem, que o individuo se apropria do sistema lingüístico.
Baseado na diversidade de textos que circulam socialmente e como o uso eficaz da linguagem deve atender às necessidades pessoais de cada momento histórico, o professor alfabetizador passou a ter como objetivo primordial garantir a aprendizagem da leitura e da escrita em um universo mais amplo. Esse é o atual papel do professor alfabetizador.
Ensinar é mais que passar informações, é compartilhar objetivos, tarefas, significados e conhecimentos. É preciso compreender como os alunos aprendem, aproximando-se dos conhecimentos que eles têm para poder ajudá-los a se aproximarem dos objetivos propostos.
No tocante à relação ensino-aprendizagem da língua escrita, é importante que o professor tenha em mente que:

1. Aprende-se a ler e a escrever, lendo e escrevendo, observando outras pessoas fazendo o mesmo, tentando e errando, sempre orientados pela busca do significado ou pela necessidade de produzir algo que tenha sentido.
2. Muitos são os caminhos para se construir noções adequadas sobre o código escrito e para se tornar um leitor eficaz.
3. Devemos considerar e aproveitar os conhecimentos que a criança já possui a respeito desse sistema de escrita.
4. O ensino da leitura deve garantir a interação do significado e da função da escrita com a criança, como meio de construir conhecimentos necessários.
Outro fato importante é que o professor reconheça a função social da escrita e que consiga passar isso para o seu aluno. A língua escrita tem funções variadas e dominá-las proporciona ao usuário condições de exercer efetivamente sua cidadania, pois, por meio dela, ele poderá:
1. Obter informações por meio de leituras como jornal, livros, revistas e internet.
2. Consultar lista telefônica, livros de receitas e manuais sobre o funcionamento de eletrodomésticos.
3. Ler bula de remédios, conferir extratos bancários, organizar listas de compras, de convidados etc.
4. Verificar preços de produtos e conferir os prazos de validade dos alimentos perecíveis.
5. Observar mensagens de placas de sinalização.
6. Conhecer as ofertas de produtos e serviços anunciados em folhetos e outdoors.
7. Localizar endereços em guias de cidade etc.
E muito mais coisas, pois ao trabalhar a escrita é muito importante discutir com os alunos os diferentes usos e funções que ela desempenha na sociedade. O professor tem papel importante na condução do trabalho, pois deverá orientar o aluno na busca da clareza e objetividade do texto, para atingir com eficácia o seu interlocutor.

Referências
CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e lingüística. São Paulo: Scipione, 1989.
HANDY, C. B. Como compreender as organizações. Tradução Helena Maria Camacho Martins Pereira. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento, um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1993.
PERRENOUD, Philippe. Dez competências para ensinar. Tradução Patrícia Chittoni Ramos. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Tradução de Cláudia Schilling. Porto Alegre: Artes Médicas,1998.

domingo, 16 de outubro de 2011

Voluntariado

"O voluntariado que nasce do encontro da solidadriedade e da cidadania, não substitui o estado e nem compete com o trabalho remunerado, mas exprime, isto sim, a capacidade da sociedade de assumir a responsabilidade e agir por si mesma"
Ruth Cardoso

DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

O  Dia Nacional da Consciência Negra  foi instituído em 2003 para ser incluída no calendário escolar como efeméride, porém foi introduzida...