sábado, 22 de outubro de 2011

O PAPEL DO PROFESSOR E DO PROFESSOR ALFABETIZADOR

"Ser professor hoje significa garantir o desenvolvimento de todo o potencial das novas gerações"
Viviane Senna

Cristiane Giusti Vargas Nakajima

Convido vocês para que pensem sobre o “papel do professor” em nossa atual sociedade. Vamos primeiramente analisar as palavras que compõem essa termologia.
Segundo o dicionário Houaiss, o termo papel é um substantivo masculino e tem como significado o “dever, a obrigação legal, moral, profissional ou atribuição, função que se desempenha ou cumpre”. Já a palavra professor, que também é um substantivo masculino, tem como significado “aquele que professa uma crença, uma religião ou ainda aquele cuja profissão é dar aulas em escola, colégio ou universidade; docente, mestre, aquele que dá aulas sobre algum assunto, matéria ou tema”. Tais definições traduzem bem o pensamento pedagógico que vigorou até pouco tempo atrás. Mas e atualmente?Qual o verdadeiro papel do professor?
Para alguns teóricos, o significado de papel é muito mais amplo. É toda a função, seguida de um conjunto mais ou menos característico de comportamento próprio para aquela função que se desempenha em um dado momento de sua vida (HANDY, 1978).
A todo o instante estamos desempenhando diversos papéis; de pai, filho, esposo(a), vizinho, esportista, torcedor, professor, aluno, entre outros. Apesar de sermos sempre a mesma pessoa, em cada situação há uma característica, uma forma de ser que nos diferencia das demais. Embora haja algo de constante nas pessoas em diferentes situações, a forma de ser no papel de pai, não é a mesma quando se desempenha o papel de filho, e o mesmo ocorre com o papel de professor, que difere do papel de aluno ou, ainda, quando se assiste ao seu esporte favorito, e assim por diante.
Após breve reflexão, podemos compreender que o tipo de papel que uma pessoa pode desenvolver, frente a uma determinada situação, será definido pela combinação das suas características de personalidade e pelas expectativas de papel que o ambiente psicossocial que a cercar tem em relação ao papel que a pessoa deve desempenhar. Alguns papéis têm uma determinação cultural mais ou menos rígida e clara, como, por exemplo, o do professor.
O papel de professor foi mudando ao longo da história: daquele que professa uma crença, passou a ser o eterno aprendiz. A ação de ensinar e aprender são essenciais para o desenvolvimento e perpetuação da natureza humana. Mas quais os fatores prioritários para o desenvolvimento dessas capacidades?
São três os fatores que influem no desenvolvimento dessas capacidades: primeiro, a atitude de querer aprender. O segundo fator diz respeito às competências e habilidades, o que poderíamos chamar, simplesmente, de desenvolvimento de aptidões cognitivas e procedimentais. O terceiro fator refere-se à aprendizagem de conhecimentos ou conteúdos.
Em tempos modernos, quando o professor se percebe como um indivíduo em contínua aprendizagem, ele muda a relação que tem com o saber. Mas não é só isso: ele precisa voltar a ser aluno para aprender a ensinar por outra perspectiva. Saber ensinar é tão importante quanto saber aprender. Ensinar é desenvolver estratégias de aprendizagem. É vivenciar diferentes papéis.
O que é alfabetização? Qual a sua principal função na sociedade contemporânea? Atualmente o que significa ser um professor alfabetizado?
“Alfabetização é o processo pelo qual as pessoas aprendem a ler e a escrever. Entretanto, esse aprendizado vai muito além de transcrever a linguagem oral para a linguagem escrita. Alfabetizar-se é muito mais do que reconhecer as letras e saber decifrar palavras. Aprender a ler e a escrever é apropriar-se do código lingüístico-gráfico e tornar-se, de fato, um usuário da leitura e da escrita.” (CAGLIARI, 1989).
Os Parâmetros Curriculares Nacionais vêem a língua como um sistema de signos histórico-sociais que possibilitam ao homem significar o mundo e a realidade. Deste modo, aprendê-la é aprender não apenas em palavras, mas também aprender seus significados culturais e, com eles, os modos pelos quais as pessoas do seu meio social entendem e interpretam a realidade e a si mesmas. E esse aprendizado nunca se encerra, é um processo contínuo e que se prolonga pela vida toda.
Por linguagem, entendemos o procedimento de interlocução que se exerce nas práticas sociais existentes nos diversos grupos de uma sociedade. Interagir pela linguagem constitui falar alguma coisa a alguém, de certa forma, num determinado contexto histórico e em determinadas circunstâncias. Pela linguagem é possível promulgar idéias, pensamentos, estabelecer relações interpessoais anteriormente inexistentes e influenciar os outros, modificando as representações que fazem da realidade. É na interação social, condição de desenvolvimento da linguagem, que o individuo se apropria do sistema lingüístico.
Baseado na diversidade de textos que circulam socialmente e como o uso eficaz da linguagem deve atender às necessidades pessoais de cada momento histórico, o professor alfabetizador passou a ter como objetivo primordial garantir a aprendizagem da leitura e da escrita em um universo mais amplo. Esse é o atual papel do professor alfabetizador.
Ensinar é mais que passar informações, é compartilhar objetivos, tarefas, significados e conhecimentos. É preciso compreender como os alunos aprendem, aproximando-se dos conhecimentos que eles têm para poder ajudá-los a se aproximarem dos objetivos propostos.
No tocante à relação ensino-aprendizagem da língua escrita, é importante que o professor tenha em mente que:

1. Aprende-se a ler e a escrever, lendo e escrevendo, observando outras pessoas fazendo o mesmo, tentando e errando, sempre orientados pela busca do significado ou pela necessidade de produzir algo que tenha sentido.
2. Muitos são os caminhos para se construir noções adequadas sobre o código escrito e para se tornar um leitor eficaz.
3. Devemos considerar e aproveitar os conhecimentos que a criança já possui a respeito desse sistema de escrita.
4. O ensino da leitura deve garantir a interação do significado e da função da escrita com a criança, como meio de construir conhecimentos necessários.
Outro fato importante é que o professor reconheça a função social da escrita e que consiga passar isso para o seu aluno. A língua escrita tem funções variadas e dominá-las proporciona ao usuário condições de exercer efetivamente sua cidadania, pois, por meio dela, ele poderá:
1. Obter informações por meio de leituras como jornal, livros, revistas e internet.
2. Consultar lista telefônica, livros de receitas e manuais sobre o funcionamento de eletrodomésticos.
3. Ler bula de remédios, conferir extratos bancários, organizar listas de compras, de convidados etc.
4. Verificar preços de produtos e conferir os prazos de validade dos alimentos perecíveis.
5. Observar mensagens de placas de sinalização.
6. Conhecer as ofertas de produtos e serviços anunciados em folhetos e outdoors.
7. Localizar endereços em guias de cidade etc.
E muito mais coisas, pois ao trabalhar a escrita é muito importante discutir com os alunos os diferentes usos e funções que ela desempenha na sociedade. O professor tem papel importante na condução do trabalho, pois deverá orientar o aluno na busca da clareza e objetividade do texto, para atingir com eficácia o seu interlocutor.

Referências
CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e lingüística. São Paulo: Scipione, 1989.
HANDY, C. B. Como compreender as organizações. Tradução Helena Maria Camacho Martins Pereira. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento, um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1993.
PERRENOUD, Philippe. Dez competências para ensinar. Tradução Patrícia Chittoni Ramos. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Tradução de Cláudia Schilling. Porto Alegre: Artes Médicas,1998.

Um comentário:

Anônimo disse...

Informaçoes muito boss,gostei muito.

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